Documento de la Primera marcha de Mujeres Indígenas de Brasil. 2,500 Mujeres de 130 pueblos

”Luchar por nuestros territorios. Luchar por el derecho a la vida”

POR ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO CIMI

Após cinco dias de debates e manifestações em Brasília, as representantes de mais de 130 povos indígenas que participaram da I Marcha das Mulheres Indígenas divulgam o documento final da mobilização. “Somos totalmente contrárias às narrativas, aos propósitos, e aos atos do atual governo, que vem deixando explícita sua intenção de extermínio dos povos indígenas, visando à invasão e exploração genocida dos nossos territórios pelo capital”, afirmam no documento.

Salientando a relação que existe entre os territórios tradicionais dos povos indígenas, seus corpos e sua vida espiritual, as mulheres indígenas que realizaram sua primeira marcha nacional denunciam a violência de que são vítimas, mas apontam o machismo como “mais uma epidemia trazida pelos europeus” e defendem que, no combate a essas mazelas, as especifidades da organização social dos povos indígenas sejam levadas em conta.

Após realizar sua primeira marcha, na terça-feira (13), e somar-se às cerca de cem mil mulheres que participaram da Marcha das Margaridas, na quarta-feira (14), elas afirmam que é necessário “fortalecer a potência das mulheres indígenas, retomando nossos valores e memórias matriarcais” nas lutas indígenas.

“Somos responsáveis pela fecundação e pela manutenção de nosso solo sagrado. Seremos sempre guerreiras em defesa da existência de nossos povos e da Mãe Terra”

Muitas mães estavam entre as cerca de três mil indígenas que se manifestaram em Brasília, carregando consigo seus filhos e filhas. Foto: Adi Spezia/Cimi

Muitas mães estavam entre as cerca de três mil indígenas que se manifestaram em Brasília, carregando consigo seus filhos e filhas. Foto: Adi Spezia/Cimi

O documento traz uma série de reivindicações, entre as quais estão o da demarcação e proteção de todas as terras indígenas contra invasores e propostas de abertura ao grande capital, como é o caso da tentativa de Bolsonaro abrir os territórios tradicionais para a mineração.

A Marcha, que na segunda-feira (12) ocupou a sede da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), também marca posição contra o desmonte da saúde indígena e em favor das políticas específicas e diferenciadas para os povos indígenas na saúde e na educação.

Por fim, defendem o direito de acesso à Justiça dos povos e pedem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que “não permita, nem legitime nenhuma reinterpretação retrógrada e restritiva do direito originário às nossas terras tradicionais”. Elas citam o caso de Repercussão Geral no STF – que, a partir de uma disputa possessória envolvendo a terra tradicional do povo Xokleng, em Santa Catarina, pode definir o futuro das demarcações de terras indígenas no Brasil – como uma oportunidade para que os direitos assegurados aos povos indígenas na Constituição Federal de 1988 sejam reafirmados pela Suprema Corte.

Leia a carta na íntegra:

DOCUMENTO FINAL DA MARCHA DAS MULHERES INDÍGENAS: “TERRITÓRIO: NOSSO CORPO, NOSSO ESPÍRITO”

Nós, 2.500 mulheres de mais de 130 diferentes povos indígenas, representando todas as regiões do Brasil, reunidas em Brasília (DF), no período de 10 a 14 de agosto de 2019, concebemos coletivamente esse grande encontro marcado pela realização do nosso 1º Fórum e 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, queremos dizer ao mundo que estamos em permanente processo de luta em defesa do “Território: nosso corpo, nosso espírito”. E para que nossas vozes ecoem em todo o mundo, reafirmamos nossas manifestações.

Enquanto mulheres, lideranças e guerreiras, geradoras e protetoras da vida, iremos nos posicionar e lutar contra as questões e as violações que afrontam nossos corpos, nossos espíritos, nossos territórios. Difundindo nossas sementes, nossos rituais, nossa língua, nós iremos garantir a nossa existência.

A Marcha das Mulheres Indígenas foi pensada como um processo, iniciado em 2015, de formação e empoderamento das mulheres indígenas. Ao longo desses anos dialogamos com mulheres de diversos movimentos e nos demos conta de que nosso movimento possui uma especificidade que gostaríamos que fosse compreendida. O movimento produzido por nossa dança de luta, considera a necessidade do retorno à complementaridade entre o feminino e o masculino, sem, no entanto, conferir uma essência para o homem e para a mulher. O machismo é mais uma epidemia trazida pelos europeus. Assim, o que é considerado violência pelas mulheres não indígenas pode não ser considerado violência por nós. Isso não significa que fecharemos nossos olhos para as violências que reconhecemos que acontecem em nossas aldeias, mas sim que precisamos levar em consideração e o intuito é exatamente contrapor, problematizar e trazer reflexões críticas a respeito de práticas cotidianas e formas de organização política contemporâneas entre nós. Precisamos dialogar e fortalecer a potência das mulheres indígenas, retomando nossos valores e memórias matriarcais para podermos avançar nos nossos pleitos sociais relacionados aos nossos territórios.

Somos totalmente contrárias às narrativas, aos propósitos, e aos atos do atual governo, que vem deixando explícita sua intenção de extermínio dos povos indígenas, visando à invasão e exploração genocida dos nossos territórios pelo capital. Essa forma de governar é como arrancar uma árvore da terra, deixando suas raízes expostas até que tudo seque. Nós estamos fincadas na terra, pois é nela que buscamos nossos ancestrais e por ela que alimentamos nossa vida. Por isso, o território para nós não é um bem que pode ser vendido, trocado, explorado. O território é nossa própria vida, nosso corpo, nosso espírito.

Lutar pelos direitos de nossos territórios é lutar pelo nosso direito à vida. A vida e o território são a mesma coisa, pois a terra nos dá nosso alimento, nossa medicina tradicional, nossa saúde e nossa dignidade. Perder o território é perder nossa mãe. Quem tem território, tem mãe, tem colo. E quem tem colo tem cura.

Quando cuidamos de nossos territórios, o que naturalmente já é parte de nossa cultura, estamos garantindo o bem de todo o planeta, pois cuidamos das florestas, do ar, das águas, dos solos. A maior parte da biodiversidade do mundo está sob os cuidados dos povos indígenas e, assim, contribuímos para sustentar a vida na Terra.

A liberdade de expressão em nossas línguas próprias, é também fundamental para nós. Muitas de nossas línguas seguem vivas. Resistiram às violências coloniais que nos obrigaram ao uso da língua estrangeira, e ao apagamento de nossas formas próprias de expressar nossas vivências. Nós mulheres temos um papel significativo na transmissão da força dos nossos saberes ancestrais por meio da transmissão da língua.

Queremos respeitado o nosso modo diferenciado de ver, de sentir, de ser e de viver o território. Saibam que, para nós, a perda do território é falta de afeto, trazendo tristeza profunda, atingindo nosso espírito. O sentimento da violação do território é como o de uma mãe que perde seu filho. É desperdício de vida. É perda do respeito e da cultura, é uma desonra aos nossos ancestrais, que foram responsáveis pela criação de tudo. É desrespeito aos que morreram pela terra. É a perda do sagrado e do sentido da vida.

Assim, tudo o que tem sido defendido e realizado pelo atual governo contraria frontalmente essa forma de proteção e cuidado com a Mãe Terra, aniquilando os direitos que, com muita luta, nós conquistamos. A não demarcação de terras indígenas, o incentivo à liberação da mineração e do arrendamento, a tentativa de flexibilização do licenciamento ambiental, o financiamento do armamento no campo, os desmontes das políticas indigenista e ambiental, demonstram isso.

Nosso dever como mulheres indígenas e como lideranças, é fortalecer e valorizar nosso conhecimento tradicional, garantir os nossos saberes, ancestralidades e cultura, conhecendo e defendendo nosso direito, honrando a memória das que vieram antes de nós. É saber lutar da nossa forma para potencializar a prática de nossa espiritualidade, e afastar tudo o que atenta contra as nossas existências.

Por tudo isso, e a partir das redes que tecemos nesse encontro, nós dizemos ao mundo que iremos lutar incansavelmente para:

  1. Garantir a demarcação das terras indígenas, pois violar nossa mãe terra é violentar nosso próprio corpo e nossa vida;
  2. Assegurar nosso direito à posse plena de nossos territórios, defendendo-os e exigindo do estado brasileiro que proíba a exploração mineratória, que nos envenena com mercúrio e outras substâncias tóxicas, o arrendamento e a cobiça do agronegócio e as invasões ilegais que roubam os nossos recursos naturais e os utilizam apenas para gerar lucro, sem se preocupar com a manutenção da vida no planeta;
  3. Garantir o direito irrestrito ao atendimento diferenciado à saúde a nossos povos, com a manutenção e a qualificação do Subsistema e da Secretaria Especial Saúde Indígena (SESAI). Lutamos e seguiremos lutando pelos serviços públicos oferecidos pelo SUS e pela manutenção e qualificação contínua da Política Nacional de Atendimento à Saúde a nossos povos, seja em nossos territórios, ou em contextos urbanos.
    Não aceitamos a privatização, a municipalização ou estadualização do atendimento à saúde dos nossos povos.
    Lutamos e lutaremos para que a gestão da SESAI seja exercida por profissionais que reúnam qualificações técnicas e políticas que passem pela compreensão das especificidades envolvidas na prestação dos serviços de saúde aos povos indígenas. Não basta termos uma indígena à frente do órgão. É preciso garantirmos uma gestão sensível a todas as questões que nos são caras no âmbito desse tema, respeitando nossas práticas tradicionais de promoção à saúde, nossas medicinas tradicionais, nossas parteiras e modos de realização de partos naturais, e os saberes de nossas lideranças espirituais. Conforme nossas ciências indígenas, a saúde não provém da somente da prescrição de princípios ativos, e a cura é resultado de interações subjetivas, emocionais, culturais, e fundamentalmente espirituais.
  4. Reivindicar ao Supremo Tribunal Federal (STF), que não permita, nem legitime nenhuma reinterpretação retrógrada e restritiva do direito originário às nossas terras tradicionais. Esperamos que, no julgamento do Recurso Extraordinário 1.017.365, relacionado ao caso da Terra Indígena Ibirama Laklanõ, do povo Xokleng, considerado de Repercussão Geral, o STF reafirme a interpretação da Constituição brasileira de acordo com a tese do Indigenato (Direito Originário) e que exclua, em definitivo, qualquer possibilidade de acolhida da tese do Fato Indígena (Marco Temporal);
  5. Exigir que todo o Poder Judiciário que, no âmbito da igualdade de todos perante a lei, faça valer nosso direito à diferença e, portanto, o nosso direito de acesso à justiça. Garantir uma sociedade justa e democrática significa assegurar o direito à diversidade, também previsto na Constituição. Exigimos o respeito aos tratados internacionais assinados pelo Brasil, que incluem, entre outros, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), as Convenções da Diversidade Cultural, Biológica e do Clima, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Declaração Americana dos Direitos dos Povos Indígenas;
  6. Promover o aumento da representatividade das mulheres indígenas nos espaços políticos, dentro e fora das aldeias, e em todos os ambientes que sejam importantes para a implementação dos nossos direitos. Não basta reconhecer nossas narrativas é preciso reconhecer nossas narradoras. Nossos corpos e nossos espíritos têm que estar presentes nos espaços de decisão;
  7. Combater a discriminação dos indígenas nos espaços de decisão, especialmente das mulheres, que são vítimas não apenas do racismo, mas também do machismo;
  8. Defender o direito de todos os seres humanos a uma alimentação saudável, sem agrotóxicos, e nutrida pelo espírito da mãe terra;
  9. Assegurar o direito a uma educação diferenciada para nossas crianças e jovens, que seja de qualidade e que respeite nossas línguas e valorize nossas tradições. Exigimos a implementação das 25 propostas da segunda Conferência Nacional e dos territórios etnoeducacionais, a recomposição das condições e espaços institucionais, a exemplo da Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena na estrutura administrativa do Ministério da Educação para assegurar a nossa incidência na formulação da política de educação escolar indígena e no atendimento das nossas demandas que envolvem, por exemplo, a melhoria da infraestrutura das escolas indígenas, a formação e contratação dos professores indígenas, a elaboração de material didático diferenciado;
  10. Garantir uma política pública indigenista que contribua efetivamente para a promoção, o fomento, e a garantia de nossos direitos, que planeje, implemente e monitore de forma participativa, dialogada com nossas organizações, ações que considerem nossas diversidades e as pautas prioritárias do Movimento Indígena;
  11. Reafirmar a necessidade de uma legislação específica que combata a violência contra a mulher indígena, culturalmente orientada à realidade dos nossos povos. As políticas públicas precisam ser pautadas nas especificidades, diversidades, e contexto social de cada povo, respeitando nossos conceitos de família, educação, fases da vida, trabalho e pobreza.
  12. Dar prosseguimento ao empoderamento das mulheres indígenas por meio da informação, formação e sensibilização dos nossos direitos, garantindo o pleno acesso das mulheres indígenas à educação formal (ensino básico, médio, universitário) de modo a promover e valorizar também os conhecimentos indígenas das mulheres;
  13. Fortalecer o movimento indígena, agregando conhecimentos de gênero e geracionais;
  14. Combater de forma irredutível e inegociável, posicionamentos racistas e anti-indígenas. Exigimos o fim da violência, da criminalização e discriminação contra os nossos povos e lideranças, praticadas inclusive por agentes públicos, assegurando a punição dos responsáveis, a reparação dos danos causados e comprometimento das instâncias de governo na proteção das nossas vidas.

Por fim, reafirmamos o nosso compromisso de fortalecer as alianças com mulheres de todos os setores da sociedade no Brasil e no mundo, do campo e da cidade, da floresta e das águas, que também são atacadas em seus direitos e formas de existência.

Temos a responsabilidade de plantar, transmitir, transcender, e compartilhar nossos conhecimentos, assim como fizeram nossas ancestrais, e todos os que nos antecederam, contribuindo para que fortaleçamos, juntas e em pé de igualdade com os homens, que por nós foram gerados, nosso poder de luta, de decisão, de representação, e de cuidado para com nossos territórios.

Somos responsáveis pela fecundação e pela manutenção de nosso solo sagrado. Seremos sempre guerreiras em defesa da existência de nossos povos e da Mãe Terra.

Brasília (DF), 14 de agosto de 2019

https://cimi.org.br/2019/08/marcha-mulheres-indigenas-documento-final-lutar-pelos-nossos-territorios-lutar-pelo-nosso-direito-vida/

Sonata para Violín en Sol Menor: Dinero. Comunicado del EZLN

Sonata para violín en sol menor: DINERO.

“… la más bella de las artimañas del diablo es persuadiros de que no existe!”
Charles Baudelaire en «Le joueur généreux».

I.- EL OCTAVO PASAJERO.

En ninguna parte, y en todas. Un tren adormecido se arrulla con su propio ronroneo. No viene ni va a ninguna parte. O no importa. A bordo, una población de grises, vivos de tan muertos, se adormece. En el último vagón, 7 pasajeros solitarios, miserables sus vidas y sus ropas, se aburren y desesperan en sus asientos.

Uno dice: “daría lo que fuera por cambiar mi suerte”. La frase es una especie de idioma universal y los 6 restantes asienten en silencio. El largo y maltrecho tren entra entonces en un túnel, que mata los grises y agranda las sombras. La puerta se abre e ingresa un octavo pasajero, con su vestimenta gritando “no soy de aquí”, y se sienta sin decir palabra. El túnel alarga la oscuridad.

Algo como un trueno, una rama seca quebrada sin que una tormenta la venza. Unos ojos llameantes aparecen en la oscuridad. Habla la mirada de fuego: “Creo que no necesito presentarme. Cada uno de ustedes me ha invocado con o sin palabras, y a su llamado respondo. Su alma por un deseo. Pongan el precio”.

Uno elige la salud, no enfermarse nunca. Satán responde: “concedido”, recoge el alma del saludable y la pone en su saquillo.

Otro opta por la sabiduría, conocerlo todo. El diablo musita: “concedido”, toma el alma del sabio y la coloca en su bolsa.

El tercero escoge la belleza, ser admirado. El rey del averno dice: “concedido”. Y el alma del hermoso se acomoda en la alforja.

El cuarto prefiere el Poder, mandar y ser obedecido. Lucifer suspira: “concedido”. Y el alma del jefe es una más en su chaqueta.

El quinto señala: “los placeres”, despertar la pasión con la sola voluntad. El demonio sonríe complacido: “concedido”. Y el alma de hedonista se une a las demás en el oscuro gabán.

El sexto se yergue y elige la fama, ser reconocido y aclamado por todos. Satanás no hace ningún gesto cuando declara: “concedido”. Y el alma del famoso es una más entre las otras prisioneras.

El séptimo casi canta cuando dice: “el amor”. El Maligno suelta una carcajada mientras deletrea “c-o-n-c-e-d-i-d-o”. y el alma del amante queda al fondo del saco.

El ángel caído mira impaciente al octavo pasajero que nada dice y sólo garabatea en una libreta.

Luzbel endulza la voz cuando pregunta: “¿Y cuál es tu deseo? Cualquiera te será otorgado a cambio sólo de tu alma pasajera”.

El octavo pasajero se pone de pie y suelta en un murmullo: “Soy Dinero, compro las 7 almas de los infelices que en ti creyeron, y te compro a ti, para que me sirvas y obedezcas”.

Y “el gran dragón, la serpiente antigua que se llama el diablo y Satanás, el cual engaña al mundo entero” (Ap 12, 9), sonrió taimado y sentenció, antes de meterse él mismo en la bolsa de las almas vendidas:

“Sea pues, señor Dinero. Pero en tu esencia misma está tu perdición y tu bonanza hoy, será desgracia mañana”.

Dinero tomó la bolsa y salió él del último vagón y el tren del túnel.

Detrás de ellos la oscuridad se alargó hasta conquistar al día…

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II.- LA CRISIS Y LAS RESPONSABILIDADES.

“Cuando haya una crisis, compra barato y espera a que pase para vender caro.
Si no hay una crisis, provócala con una guerra. Para salir de la crisis, haz otra guerra. La guerra, como no dijo Clausewitz, es la autopista para entrar y salir de las crisis por otros medios –incluyendo los nucleares-.”
Don Durito de La Lacandona. Escarabajo y Doctor en Economía Selvática.

Si la mayor de las artimañas del diablo es persuadir de que no existe, uno de los cimientos del sistema capitalista es convencer de que el dinero todo lo puede. Y el dinero es el amo y señor de los gobiernos. En el dinero basan su proyecto de pasar a la historia como grandes transformadores. Pero…

Bueno, yo iba a tratar de explicarle que se viene una crisis económica mundial, pero, además de que no sé mucho de economía política, parece que la realidad lo está haciendo y lo hará con mejores argumentos y de forma más pedagógica. Aún así, hay que tomar en cuenta que falta lo que falta.

Y, también, hay que señalar que lo que viene no es su culpa de este gobierno, ni de los pasados. Lo que se conoce como gobierno mexicano, tiene como única responsabilidad, el creer y hacer creer que tienen alguna forma ya no digamos de detenerla, tampoco de paliarla.

Las “malas decisiones”, que un sector de la derecha des-ilustrada, achaca al gobierno de la 4T (la cantaleta de la cancelación del aeropuerto en Texcoco, es la constante), no tienen nada que ver con lo que se viene. La consigna subyacente de ese fragmento de la derecha realmente existente, que se siente despechado y engañado, sería: “estaríamos mejor sin López Obrador”, y suena, además de poco original, falsa.

Cualquiera que hubiera quedado (Meade, Anaya, el Bronco o Miss Xerox) se hubiera tenido que enfrentar a ese “entorno mundial adverso” (así dicen los Think Tanks del gran capital) y salir derrotado y buscando culpables. Y todos hubieran hecho y estarían haciendo lo que hace el gobierno actual: mentir y maquillar.

Claro, hablo desde y de los pueblos originarios. Aunque estoy seguro que otros sectores podrán decir si se han visto beneficiados, o no, con la política económica del supremo. Por no hablar de su política social y el renegado fracaso del combate a la delincuencia.

Es necesario entender que el desagrado que se manifiesta en ese tramo de la derecha, es ampliamente compensado por el sector restante (que es el mayoritario). Por no hablar ya del gran capital, que está más que encantado y satisfecho con las medidas que abonarán el estallido y escalada de la crisis que viene.

Imagino que esto les molestará más que si señalamos que son lo mismo, pero, el balance hasta ahora, es que hubiera dado lo mismo que quedara uno u otro u otra:

Hubieran iniciado festejándose a sí mismos; hubieran declarado solemnemente que un nuevo ciclo de esperanza, trabajo y bonanza iniciaba para el territorio que se encuentra al sur del Río Bravo y al occidente de Guatemala y Belice: hubieran repartido las mismas limosnas aunque con otro nombre; se habrían desdicho de no pocas cosas que hubieran prometido en campaña; hubieran achacado al rencor y la envidia, las críticas que se les hicieran; hubieran hecho llamados a la unidad y al patrioterismo, se hubieran postrado igual ante los designios, bravatas e insultos del capataz que, en el norte revuelto y brutal, babea; y habrían adjudicado sus errores al “entorno internacional adverso”.

Todos, como el actual supremo, basarían su plan de gobierno en el dinero. Sus discrepancias están en que el supremo piensa que con lo del ficticio “combate a la corrupción”, basta y sobra hasta para colgarse medallas de otros, otras, otroas. “Pero la 4T no roba”, alegarán. Pero aún ahí, para todos esos amantes de los matices, hay niveles, como leerá usted más adelante, en otro texto… si es que llega a publicarse.

Voy a señalar algunos hechos sobre lo que no son posibles esos “matices” que se señalan. Hechos que demandan una posición clara. No recurro a las redes y sus “fake news”, ni a las columnas pro y contra (a cual más de lamentable) en prensa; tampoco a la prensa tildada de “fifí” (tuve que eliminar como fuente al semanario Proceso al que, de un eructo del supremo, se le borró toda una historia de labor e investigación periodística difícil de igualar por otro medio). Así que me he circunscrito a las declaraciones y hechos reportados en las páginas electrónicas gubernamentales (mañaneras y templetes incluidos), y a lo reportado en la prensa “que sí apoya”.

Además, claro, de la investigación “in situ”, en el terreno en el que nos movemos: el Chiapas rural. Usted puede desconfiar, y con razón, de lo que a esa parte se refiere. Puede ser que todo no sea sino un invento para sabotear al supremo. Dude, sí. Y si quiere salir de dudas puede recurrir a dos cosas: investigar si lo que decimos es cierto o esperar a lo que va a pasar. La desventaja de la primera opción es que el periodismo que investigue la veracidad o falsedad de lo que leerá a continuación, pasará a las filas de los conservadores (aunque “matice” y no refleje la realidad brutal de lo que acá pasa). La segunda, es esperar a que el tiempo nos dé la razón o nos desmienta; pues, mire, aquí entre nosotros, nosotras, nosotroas, la verdad es que “tiempo” es una de las cosas que no tienen allá arriba. Pero, en fin, siéntase usted en la libertad de desconfiar de la realidad de acá, ¿pero desconfiar de la realidad que usted vive y padece, no le parece suicida?

Hechos:

.- El tono festivo del supremo en sus reuniones con los representantes del poder económico de México y del Mundo. Y el tono irritado e intolerante cuando recibe reclamos o demandas de la gente común, sobre todo cuando es gente del campo. Ok, matice… pero la realidad le va a contradecir a diario. En el caso de los señores del dinero, es un cortejo que raya en lo obsceno, y que no se traduce en el respaldo real que se busca con ello. En el caso de los comunes, se entiende que el supremo “no paga para que le peguen”.

.- La imposición de las filias y fobias propias de un tirano. Mire, yo lo entiendo, cada quien tiene sus querencias y sus des-querencias, ni hablar, pero nada da derecho, a nadie, de imponérselas a la demás gente. Y cuando el supremo dice que tal y cual son unos tales por cuales, pues eso sí calienta, como él suele decir, y, como lo ha demostrado el legislativo y el asesinato de Samir Flores, el deseo de agradar al supremo llega a crímenes y desfiguros. Sólo los tiranos buscan réplicas en sus gobernados, y así le va a esa nación.

.- El trato a migrantes. Mire, lo puede ver donde quiera y puede usted decirse para sí: “¡Horror!, ¿en qué país pasan esas cosas?” y pasa aquí, en este país que se llama “República Mexicana”. Y lo que sale en los medios “que sí apoyan”, no es ni una fracción de la pesadilla que se les ha impuesto a centroamericanos en la frontera sur. Sí, también a africanos, caribeños, asiáticos… y mexicanos. Dígame, ¿cómo se distingue una persona chiapaneca de una guatemalteca, hondureña o salvadoreña? ¿En que no tienen papeles? Vamos, pregunte usted en el INEGI o en el INE, cuántos mexicanos no tienen papeles en el sureste mexicano. ¿Que canten el himno nacional? Los agentes de migración no se lo saben y, al parecer, el supremo tampoco, por eso se pone de tapete del Trump. El otro que se quiere colar a la grande en 2024, el Marcelo Ebrard, dice que se está aplicando la ley, pero ninguna ley dice que “todas las personas que sean bajas de estatura, sean de tez oscura, no hablen español o lo hablen con acento, serán detenidas y demandadas de presentar documentos que acrediten su ciudadanía mexicana; las detenciones podrán ser realizadas por elementos militares, policíacos (incluidos agentes de tránsito) o de migración y no requerirán de traductor, defensoría de derechos humanos, o cualquier obstáculo que le impida al supremo cumplir con la cuota de detenciones comprometida con el amigo Donald Trump”. Ok, no le crea a la televisión mala, cheque la prensa “comprometida con la causa de la 4T”. ¿Ya? Ok, ahora trate de “matizar” esa pesadilla.

.- El modo y el tono servil y rastrero frente al gobierno norteamericano. De esto ya se hablará luego, pero, disculpe, no recuerdo a un gobierno federal que se haya portado, públicamente, tan indigno con un gobierno extranjero. ¿El supremo tiene el aval de una consulta a mano alzada en un lugar donde repartió apoyos? Bueno, si ése es su argumento para “matizar”, suerte.

.- La derrota del laicismo. Desde que el Salinas malo, Carlos Salinas de Gortari, en acuerdo con el alto clero católico, abrió las puertas para que la religión diera sus primeros pasos en asuntos de Estado, pasando por el hacerse pato de Zedillo, las genuflexiones de Vicente Fox, el mocho de Felipe Calderón y el uso mediático de Peña Nieto, la militancia religiosa del supremo actual es indefendible. Y es algo que, lo que queda de Nación, habrá de pagar muy caro… y no a los plazos cómodos de las tiendas Elektra.

.- El impulso y aceleración de los megaproyectos y la destrucción de territorios de los originarios. El argumento de que son obras ya avanzadas, no valió para Texcoco. El señalamiento y descalificación, por parte del supremo, de la oposición a la termoeléctrica en Morelos le costó la vida a nuestro compañero Samir Flores Soberanes. En términos de las páginas “rojas” o “policíacas” de la prensa eso se llama “poner a la víctima”. No importa qué digan y cómo quieran justificarse, cargarán con su muerte. Vaya pues, matice: el supremo no jaló el gatillo. Sí, Trump tampoco.

.- El aliento al individualismo y la confrontación con la comunidad. Con el argumento del “combate a la corrupción” se pretende que la entrega de apoyos (dinero, pues) a individuos es más efectiva. En primera, si es que hay corrupción en organizaciones campesinas, no gubernamentales, etc., se deben señalar quiénes, cuánto, dónde. La omisión es complicidad (si no, pregúntenle a la Robles). Si no tienen empacho en acusar desde el templete a medios y periodistas “porque mi pecho no es bodega”, entonces deben decir claramente, por ejemplo, “la dirección de la CIOAC –tienen que aclarar cuál de todas las CIOAC´s, la de asesinos o las otras-, se está transando tanto de paga. Ya, se acabó, que se queden con lo transado y borrón y cuenta nueva”; o “en la guardería tal que se ubica en tal lado, se están comiendo los cornflakes y bebiendo las Lalas que eran para los escuincles”; o “en la guardería tal reciben niños y niñas producto del pecado de la carne y la concupiscencia, y el Señor dijo que no yacerás sin firmar un pacto de no agresión y frialdad sensata (“matrimonio”, creo que le dicen)”.

Ahora que en el caso del campo, el problema no es sólo que se individualice la entrega. Ok, si los miembros del gabinete del campo, y asesores que lo acompañan, no tienen imaginación y sólo pueden optar entre la entrega a organizaciones gestoras o al individuo, se entiende, por algo están en el gobierno. Pero ¡elegir a un banco como vehículo de las bendiciones de la 4T!. Porque la “forma” que eligieron tiene como beneficiario directo al “coyote” o intermediario: Banco Azteca, del Grupo Elektra, en el caso del programa “Sembrando Vida”.

Las declaraciones del supremo son que se dan $5,000.00 (-cinco mil pesos m/n) a los campesinos que le entran a ese programa. Falso. Al campesino se le entregan máximo $4,500.00 (y en algunos casos sólo $ 4,000.00).

La razón, se dice, de que sólo se le entreguen $4,500 es que los otros $500 se van a un fondo de ahorro. El destino de ese fondo de ahorro es incierto. A los beneficiarios les dicen que son “para los viejitos”; o que son para luego comercializar la madera y las frutas. Veamos: el cedro y la caoba, tardan unos 30 años en ser “comerciables”, es decir, que vale la pena cortarlos y venderlos, pero el sexenio acaba dentro de 5 años. Si no me falla la aritmética, se necesitan 4 sexenios más para que, lo que se sembrará el año entrante (ahora están en la etapa de viveros), pueda ser comerciable. Se supone que durante los próximos 29 años, los beneficiarios recibirán cuatro mil quinientos pesos mensuales. Así que, o se asegura que el Bolsonaro-Macri-Moreno que ya acecha para relevar la administración de la tormenta, se comprometerá a mantener ese programa; o se trata de un programa transexenal que compromete el apoyo campesino a un partido político.

El asunto es que, en este movimiento de dineros, el banco retiene 500 pesos (y en algunos casos, mil pesos con el mismo argumento de que el campesino debe ahorrar) por cada “sembrador de vida”. La encargada por el supremo para eso, habla de hasta 230 mil “beneficiarios”. Eso serían 115 millones de pesos mensuales que tiene ese banco a su disposición.   Usted puede acudir a su economista de cabecera y preguntarle qué es lo que los bancos hacen con los ahorros de los cuentahabientes.

Ahora bien, en algunas sucursales de esa “desinteresada” y “filantrópica” institución que es Banco Azteca, se les dice a los campesinos que sólo les entregarán $4000, “para que aprendan a ahorrar”. Si dado fuera que todos los beneficiarios tienen el instinto de ahorrar (tan apreciado en la cultura del dinero), entonces serían 230 millones de pesos al mes, por 12 meses por 5 años a partir de octubre del presente. Pero digamos que no, y sólo son 115 millones al mes (mil 380 millones de pesos al año, 6,900 millones de pesos en lo que queda del sexenio que no es sexenio). Si al termino del sexenio y en las elecciones presidenciales y legislativas del 2024, dios no lo permita, no queda el mismo supremo o un equivalente del partido oficial, el “beneficiario” se convertirá en “perjudicado”: tendrá 2 hectáreas y media inútiles porque ya no tendrá la paga para remediar el haber perdido sus animales (se debe usar potrero), o su milpa (si se siembran los árboles en acahuales de “recambio”).

Además, el supremo (con la bendición de sus asesores “matizados”) está realizando una nueva “reforma agraria”, apalancado en la iniciada por Salinas el malo (CSG). La condición, en una comunidad ejidal, para que se otorgue el “Sembrando Lata”, es que los “derecheros” (los ejidatarios con derechos agrarios) le cedan a los “solicitantes” dos hectáreas de las que son su derecho. Esto quiere decir que la “nueva” reforma agraria 4T consiste en quitarle tierra a los que menos tienen, y “repartirla”. Por supuesto, además de que eso ha permitido una nueva forma de corrupción, se han dividido las comunidades partidistas hasta llegar a las familias, confrontando a los hijos (“solicitantes”) con los padres (“derecheros”), peleas que escalan hasta las amenazas de muerte.

En Los Altos de Chiapas, donde lo que hay son parajes y no se miden hectáreas sino “tareas”, la situación sería cómica si no fuera trágica. El campesino en esa situación, usa un mismo pedazo de tierra (“tarea”) para sembrar maíz, luego ahí el frijol, luego la verdura. Además de que casi nadie completa las 2 hectáreas, si siembran lo que la ideota del supremo pretende, su pequeño pedazo de tierra estará imposibilitado para subsistir durante 20 o 30 años. Claro, lo que importa es el dinero que mensualmente recibe ese campesino.

Hay más historias que, seguramente, usted no va a creer porque tiene mejores datos. Por ahora sólo le diré: la ecuación que señala “tanto dinero = tantas hectáreas sembradas” es una mentira. Los partidistas simulan la preparación del terreno, o “prestan” hectáreas cuando llega el delegado del supremo, o se “mochan” con el encargado: “tú pon ahí que sí estoy haciendo el vivero y que tengo las 2 hectáreas, yo te paso un tanto de los 4 mil 500”.

Y, aún así, cientos de comunidades rechazan el programa porque, dicen, textual, “no vamos a trabajar de peones del gobierno. La tierra es nuestra y no del finquero hecho gobierno”. Pero, bueno, es seguro que el supremo tiene otros datos y nosotros sólo estamos en una pequeña porción de un pequeño estado de la república, así que sigamos el dinero:

Según la página electrónica del Grupo Elektra, cada tienda cuenta con una sucursal de Banco Azteca. Es decir, el campesino va al banco a recoger su limosna que no es limosna. Ahí mismo lo atiende una persona con una playera con el logotipo del banco y del gobierno de la 4T. Como debe de ser, la persona le recomienda al campesino el ahorro y los seguros: “Uno nunca sabe lo que puede ocurrir. Por ejemplo, que le roben la motocicleta… ¡¿Cómo?! ¿No tiene motocicleta? No se preocupe, tiene usted suerte, siempre he dicho que la gente con suerte a veces no se da cuenta de lo que tiene. Mire, aquí tenemos esta poderosa máquina de 125 centímetros cúbicos, marca Italika(filial del Grupo Elektra), que usted puede llevarse ya. Sí, ahorita mismo. Y sólo por ser usted, le voy a regalar el casco. ¿Es usted soltero? ¿Sí? Se me hace raro, porque alguien tan apuesto como usted… Bueno, mire, en esta moto cabe muy bien otra persona. Ya verá usted que todas las muchachas van a querer que las lleve a pasear. Mire, es mejor comprar en paquete, ¿me entiende? Así se evita usted vueltas. Entonces, yo le recomiendo que de una vez abra su cuenta aquí en el banco, agarre el seguro que le ofrecen (es obligatorio para abrir una cuenta), compre la moto a plazos y de una vez asegurada, por si se la roban o se descompone. Así usted va a regresar a su pueblo en moto y con todo y casco”,

Todo esto es real. Un compa zapatista acompañó a su cuñado partidista y pudo constatar todo lo que refiero. Claro, los nombres se han omitido para proteger la impunidad… perdón, la presunción de inocencia del supremo gobierno. ¿Y la moto? Bueno, eso ya no sabemos, porque el compa se tuvo que regresar en transporte público, su cuñado se gastó lo que le sobraba del abono de la moto y los seguros, en latas de cerveza. No cabían los dos. O las latas de cerveza o el compa. Ganaron las latas. El compa zapatista regresó bravo: “qué soltero ni que nada, si está casado con mi hermanita y ya van para el cuarto chamaco, ah pero deje que se entere mi hermanita, ahí sí va a necesitar el seguro mi cuñado”.

Los principales accionistas del Grupo Elektra son: Hugo Salinas Price, Esther Pliego de Salinas, y Ricardo B. Salinas Pliego (los dos primeros son los padres del tercero).

El señor Hugo Salinas Pliego fue un evasor de impuestos confeso, rompehuelgas confeso y patrocinador confeso de iniciativas ultra derechistas (como el MURO, brazo paramilitar de El Yunque), según el libro de su autoría “Mis años en Elektra” (editorial Diana, 2000).

En él se puede leer: “Tristemente cuando hay mejores condiciones de vida es cuando el pueblo tiene tiempo y recursos para pensar en participar en disturbios, urdidos por vivales. Cuando las cosas se ponen muy difíciles, al pueblo le importa más conservar lo que tiene que armar borlotes.”

Este Grupo Elektra es el que ha sido elegido por el supremo para manejar las tarjetas de la “política social” del gobierno de la 4T. Para más, se puede consultar el artículo al respecto de Álvaro Delgado, aparecido en la revista Proceso, edición 2208, del 24 de febrero del 2019. ¡Ups! Había dicho que no iba a referirme a ese semanario hereje y demoniaco. Ok, pero puede hacer como yo, consiga el libro, créame que da escalofríos leerlo. O hable con Álvaro Delgado… pero cuide que el supremo no se entere.

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Se está gestando una crisis compleja. Lo que en los bunkers del gran capital se llama “una tormenta perfecta”. El navío que llamamos “planeta tierra” está prácticamente desmantelado y se mantiene a flote gracias a lo mismo que lo devasta. Este estúpido círculo mortal de destruir para reconstruir lo destruido, se esconde detrás de las evidencias falsas que se han colado en el sentido común. La creencia fundamental en el poder individual, nacida desde que la historia reescribió el andar del ser humano, ha construido el mito del individuo capaz de todo.

El “pero” que se oculta detrás del mito de la individualidad, es que exime al sistema de su responsabilidad mortal. Seres humanos, civilizaciones, idiomas, culturas, artes, ciencias perecen digeridos en el estómago de la máquina. Pero la responsabilidad sistémica se traslada al individuo. Es el individuo o individua quien es la víctima y el verdugo. La mujer asesinada es la responsable de los golpes que recibe, de la violación que sufre, de su desaparición, de su muerte. Es una criminal por haber sido víctima de un crimen, y es criminal por protestar contra ese crimen. Igual para la niñez, la ancianidad, la diferencia de género, cultura, lengua, color, raza.

Pero no nos haga caso, y mejor consulte con su economista de cabecera (si el mentado trabaja en el gobierno, asegúrele que todo será “off the record”): tal vez él le dirá que la economía política es una ciencia, responde a leyes, a causas y efectos, no depende de voluntarismos, berrinches, o chillidos desde el púlpito. La economía política no atiende a las encuestas, no mira las mañaneras. La economía política señala: si se dan tales y tales condiciones (causas), entonces se va a producir tal fenómeno (efecto). Después de que usted se aburra con números y fórmulas, pregúntele: ¿viene una crisis? Si ve que el economista saca un paraguas –aunque estén bajo techo- y se disculpa –el economista, claro- con un “no había blindados”, entonces usted tiene varias opciones: o declara solemnemente que es una fake news, que la mafia del poder, que los Illuminati, que economista conservador, etc.; o le pregunta dónde compró su paraguas y si hay de color lila (cada quien su modo); o abraza la religión más a la mano:

O le pregunta si hay solución, salida, o remedio.

El economista le responderá con un montón de fórmulas y cifras. Usted espera pacientemente a que termine y, en lugar de decirle que no entendió nada, le pide cuál es la respuesta en resumen, el economista tal vez le responda “está muy difícil, se necesitaría que… (nuevo derroche de fórmulas y cifras)”.

O tal vez simplemente le diga: “no, no en este sistema”.

(continuará… ¿eh?… ¿ya no?… pero si apenas estaba entrando en calor como quien dice… ¿de plano no?… oh, pues, bueno… entonces ya sólo unos apuntes del gato-perro y ya… sale)

Desde las montañas del Sureste Mexicano.

El SupGaleano colando unas frases del gato-perro.

México, agosto del 2019.

Del cuaderno de apuntes del Gato-Perro:

.- El problema con el dinero es que… se acaba.

.- Cuando lo diferente se encuentra con lo igualmente diferente pero distinto, lo diferente le abraza y festeja. Lo diferente no busca un espejo, sino algo más complejo, y más humano: respeto.

.- La naturaleza es una pared elástica que multiplica la velocidad de las piedras que le arrojamos. La muerte no regresa en la misma proporción, sino potenciada. Hay una guerra entre el sistema y la naturaleza. Esa confrontación no admite matices ni cobardías. O se está con el sistema o con la naturaleza. O con la muerte, o con la vida.

Miau-Guau.

El Gato-Perro, cambiando de táctica, pone ojos lánguidos a una luna que ni en cuenta, la muy maldita.

Los videos se encuentran en el siguiente vínculo:

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2019/08/15/sonata-para-violin-en-sol-menor-dinero/

La Cuarta Guerra Mundial se proyecta en el Plantón de los 43

El Plantón por los 43 en coordinación con las Madres y Padres de los 43 Estudiantes desaparecidos de Ayotzinapa invitan:

A la proyección del documental ‘La cuarta guerra mundial” (The Fourth World War
Duración) a las 19:00 hrs, el día:

🐢 Viernes 16 de Agosto

El documental “La 4a Guerra Mundial” del director Rick Rowley, permite tener una visión de estar en medio de conflictos sociales en México, Argentina, Israel/Palestina, Corea, África del Sur, América del Norte y Europa. En la 4a Guerra Mundial hablan hombres y mujeres que se niegan a someterse al terror. Hablan los que no permiten que ejércitos, el miedo o la desesperación ocupen sus sueños de un mundo justo y sin opresión.

El Plantón por los 43, se encuentran en: Avenida Reforma S/N, frente al Centro Comercial Reforma 222, entre las glorietas de Cuauhtémoc y la Palma, metrobus Hamburgo líneas 1 y 7.

EZLN, Adagio-Allegro Molto en Mi Menor: Una Realidad Posible

Adagio-Allegro Molto en mi menor: Una realidad posible.
(tomado del Cuaderno de Apuntes del Gato-Perro)

La locura es como la gravedad, ¿sabes?, basta con un pequeño empujón
El Guasón en el papel de Heath Ledger (¿o era el revés?). 

  Nadie sabe a ciencia cierta cómo empezó todo. Incluso los Tercios Compas, que se dieron a la tarea de reconstruir los hechos, no pueden determinar el momento y el hecho exactos en que se inició lo que ahora les relataré.

  Según una versión, el SupGaleano provocó todo. Según otras, el SupGaleano sólo lo inició, y fue el Subcomandante Insurgente Moisés el que siguió y completó.

  El asunto es que el SupGaleano, en uno de sus textos, hizo referencia al hecho de que, en febrero de 2011, la periodista Carmen Aristegui preguntó, en una de las emisiones de su programa, si el entonces titular del ejecutivo, Felipe Calderón Hinojosa, padecía de la enfermedad del alcoholismo, y agregó que se debería informar a la Nación sobre el estado de salud del ejecutivo federal. Como represalia, la periodista fue despedida. Hasta ahí no había problema. Así fue y se puede consultar en la prensa ese hecho.

 La bronca fue que, el SupGaleano agregó algo como: “La locura, como señaló un incomprendido conocedor del alma humana, es como la gravedad: sólo necesitas un empujón. Detentar el Poder es ese irresistible empujón que allá arriba todos anhelan y empieza con 3 simples palabras “aquí mando yo”. Si espera usted que alguien de los medios de comunicación cuestione si el actual ejecutivo federal padece de sus facultades mentales (lo que sea de cada quien, no dijo “está loco”), espere sentado; porque nadie se va a atrever a hacerlo”.

  Al día siguiente, en ese faro de luz cuasi divina que son las conferencias matutinas del probable demente, una persona de la prensa se atrevió a preguntarle qué pensaba de eso. El interpelado guardó silencio, hizo gestos faciales que mostraban su enojo, y dio por terminada la rueda de prensa sin haber acabado de explicar el por qué obedecer los mandatos de Donald Trump le había traído grandes beneficios al país. Nunca aclaró a qué país se refería.

  Según el encargado de Comunicación Social de la Presidencia, el jefe (así dijo) se había sentido indispuesto debido a una probable congestión estomacal, producto de algún alimento en mal estado.

  A la mañana siguiente, ya repuesto, el máximo jefe (así lo presentó el encargado de Comunicación Social), dijo que, para él, quienes se presentan como de izquierda radical no eran sino unos radicales de derecha que se escondían tras un pasamontañas y sólo mantenían su movimiento en 4 municipios del suroriental estado mexicano de Chiapas, y eso gracias al apoyo económico que recibían de los Illuminati; y que “el Marcos” (así dijo) en realidad estaba en Francia. En Paris, para ser más precisos, según los datos que él tenía.

  El SupGaleano respondió con un escrito donde describía la Plaza Pigallecon una minuciosidad que ni la guía Michelin, señalaba la paradoja de que el pecado carnal estuviera tan cerca de la Sacré-Coeur que corona Montmartre, y se disculpaba por no dar más datos, debido a que se dedicaba al “oficio más antiguo del mundo” (así dijo) y tenía que atender a la clientela. Algunos dicen que el Sup anexaba una foto donde lucía sus hermosas y bien torneadas piernas. En las redes sociales de la 4T alegaron que estaban photoshopeadas y que ni que estuviera tan bueno “el cara de calcetín” (así dijeron) –aunque más de una, unoa, guardó la imagen en la carpeta que advertía “No abrir en caso de mi muerte”-.

  En la mañanera siguiente, el máximo líder tuvo un leve toque de autocrítica. Aclaró que no estaba en París (el Sup se entiende), sino en Grecia, según sus datos. En la Isla de Lesbos para ser más precisos. El SupGaleano respondió con otro texto describiendo las condiciones en que los migrantes ilegales se trasladaban a Europa… huyendo de las guerras alentadas por los gobiernos europeos.

  Un día y una corrección más en la conferencia de prensa matutina: “el subcomediante” (así dijo el líder) en realidad estaba, según sus datos, en Australia. En Sidney, en la playa Lady Bay Beach, para ser más precisos.

  El Sup contestó con un poema cursi, supuestamente de su autoría, que en una parte decía: la sombra que en el mar se diluye/ como si en luz muriera/lejanos y húmedos los desvelos/presente la esperanza seca… y con una foto que la decencia y las buenas costumbres me impiden describir. Sólo puedo decir que el Sup tenía puesto el pasamontañas, su gorra y su pipa y ya (¿si me entienden? Oh pues).

  El supremo, esa misma tarde, estalló y tuiteó que le estaban colmando la paciencia (al Supremo, se entiende), y que tenía lo necesario para poner orden en “Chapas” (así escribió) y acabar de una vez con “las fantochadas del cara de estambre” (así dijo). En NOTIMEX corrigieron “en Chiapas”, y en las redes sociales, alguien tuiteó con timidez: “¿Pues no que estaba en Francia-Grecia-Australia?”

  En la mañanera, el iluminado se fue con todo: dijo que él, el verdadero, tenía la sagrada misión de preservar el paso incontenible de la 4T y que “todas las opciones para lograrlo las tengo en mi mesa de tocador”. En NOTIMEX corrigieron y en la transcripción pusieron “en mi escritorio de trabajo”.

  Ahí es donde dicen que intervino el Subcomandante Insurgente Moisés, quien escribió un breve comunicado que sólo decía: “Ustedes sólo son un ladrillo más en el muro. Nosotros uno de muchos mazos”.

  El supremo jefe, máximo líder, el esperado al fin en nosotros (así dijo el presentador de la rueda de prensa, aunque en NOTIMEX agregaron “y nosotras”), declaró que a él no le temblaba el pulso para poner orden en su república (NOTIMEX corrigió “en nuestra república”).

  El Subcomandante Insurgente Moisés respondió con “Ustedes son sólo un escupitajo en el mar de la historia. Nosotros somos el mar de nuestros sueños. Ustedes son sólo polvo en el viento. Ik O´tik (nosotros somos viento)”.

  Todos coinciden en que eso fue lo que detonó todo. El supremo podía ser más o menos tolerante, pero que se cuestionara su papel en la Historia (con mayúsculas) del mundo mundial, era ir demasiado lejos…

La Ley LEI.

  El Congreso, con mayoría abrumadora de la 4T –a la que se habían sumado, con fervor patriótico, el PVEM, el PAN, el PRI y otros minipartidos-, aprobó entonces, vía fast track, la Ley de Existencia Indeseada (“LEI” por sus siglas). Aunque apenas unos minutos antes el ejecutivo federal había enviado el proyecto, los legisladores entendieron inmediatamente que la ley LEI era un portento jurídico, una luz en medio de la oscuridad, una guía que llevaría al país (nunca aclararon a cuál país se referían) a un futuro luminoso. Ergo, la aprobaron por aclamación.

  En uno de sus apartados, y como consecuencia lógica de la ley que prohibía que alguien ganara más que el ejecutivo federal, se vedaba expresamente ser más inteligente que el supremo. Todo aquel que tuviera un coeficiente intelectual superior al del amado líder, sería confinado en una cárcel o desterrado del país (nunca se aclaró a qué país se refería la ley LEI). Se declaró entonces la obligatoriedad para que toda la población presentara un examen de inteligencia para así detectar a los transgresores. El “coeficiente intelectual” no debía superar el del amado, admirado y nunca bien ponderado líder, por lo que el 99.999% de la población hubiera quedado en el nivel de “existencia indeseada” a no ser porque…

  La banda es banda y el barrio es barrio. Así que, por internet y en puestos de comercio ambulante, se podía comprar una píldora que inhibía los procesos cognitivos. “No se arriesgue, vaya a lo seguro. Bara, bara, todo legal mi buen”, se leía o escuchaba en la publicidad. No faltó quién consiguiera copias del examen y las vendiera, aunque con un cargo adicional si se incluían cuáles eran las respuestas incorrectas que aseguraran su patrimonio. Se ofrecieron, además, cursos propedéuticos para presentar el examen, ahí se instruía cómo obtener una calificación baja.

  Salvo una niña de 6 años, que vomitó la pastilla, todos demostraron que no eran más inteligentes que el supremo. La niña fue desterrada con todo y su familia, para que no se dijera que el supremo separaba a los padres de los hijos. NOTIMEX añadió “y de las hijas”.

  En otro apartado, se prohibía el ateísmo, y el agnosticismo se toleraba sólo si no se manifestaba “de pensamiento, palabra y obra”. La población atea tuvo que pasar a la clandestinidad, pero no por mucho tiempo: alguien alegó que el ateísmo puede ser tan fanático como cualquier religión. Así que el Instituto de Religiones Permisibles (PRI por sus siglas en inglés), incorporó al ateísmo como una religión más. Aunque muy por debajo de otras religiones (como la Luz del Mundo, etc.), y por supuesto lejana del Amloísmo, ese venturoso sincretismo entre varias religiones y Alfonso Reyes, que no era declarada “religión oficial” sólo por santo pudor y virginal recato.

  Lo que desencadenó todo, según algunos, fue el apartado de la ley LEI que se refería específicamente a la población que pertenecía a los autodenominados pueblos originarios, pero que eran conocidos comúnmente como “indígenas”, “indios”, “la indiada”, etc.

  La ley obligaba a los hablantes de lenguas extrañas (así decía) a registrarse y dirigirse a un campo de concentración, de modo que no ofendieran con su vista al resto de la sociedad, y facilitar así la entrega de las limosnas oficiales. En el campo de concentración, con una previsión loable, se habían colocado sucursales de la tienda Elektra, que incluían cajas de Banco Azteca, de modo que el “cliente” recibía la “ayuda” y ahí mismo la gastaba. El supremo cumpliría así una de sus promesas fundacionales: producir consumidores de los artículos que, generoso, ofertaba Salinas Pliego a los pobres. Las malas lenguas decían que esos establecimientos no eran sino la versión 4T de las tiendas de raya.

  Como era de esperar, los pueblos zapatistas se negaron y se empecinaron en ofender al respetable. Según unas versiones, aquí fue donde el Subcomandante Insurgente Moisés contestó con una cita del Jacinto Canek, de Ermilo Abreu Gómez:

“Ya se cumplen las profecías de Nahua Pech, uno de los cinco profetas del tiempo viejo. No se contentarán los blancos con lo suyo, ni con lo que ganaron en la guerra.
Querrán también la miseria de nuestra comida y la miseria de nuestra casa.
Levantarán su odio contra nosotros
y nos obligarán a refugiarnos en los montes y en los lugares apartados.
Entonces iremos, como las hormigas, detrás de las alimañas y comeremos cosas malas: raíces, grajos, cuervos, ratas y langostas del viento.
Y la podredumbre de esta comida llenará de rencor nuestros corazones
y vendrá la guerra.”.

   Un intelectual orgánico de la 4T escribió un largo ensayo en el suplemento que dirige, para denunciar que la oposición zapatista a los designios divinos era otro de los cálculos estratégicos del “SupMarcos” (así puso), quien pensó que su timingiba a afectar siquiera la marcha inexorable, triunfante y avasalladora de la 4T; y que el ezetaelene perdía una gran oportunidad porque, por primera vez, se iban a reunir en un solo lugar todas “las etnias y sus dialectos” (así escribió). Laura Bozzo escribió en su columna que la respuesta del Subcomandante Insurgente Moisés era una muestra más del sectarismo del EZLN, que mal hacía el zapatismo en aislarse de “los pobres de la tierra” (así dijo), y que el CNI y el CIG debían, como un movimiento táctico, aceptar el generoso ofrecimiento gubernamental y aprovechar para ahí estudiar sus artículos… y obedecer lo que en ellos se ordenaba.

  En las redes sociales pro 4T crearon el hashtag #pinchesindioshijosdesalinas, aunque nunca quedó claro si se referían al Salinas malo (Salinas de Gortari, quien ya no se escondía detrás de las faldas Chanel de Rosario Robles y estaba en franca huida) o al Salinas bueno (Salinas Pliego, quien se forraba de billetes con las tarjetas de “Sembrando Vida”).

  El caso, o cosa, según, es que entró la Guardia Nacional “a implantar el orden y el progreso que habían sido desafiados por los transgresores de la ley”. NOTIMEX añadió “y por las transgresoras de la ley”.

  En las redes sociales, los usuarios afines a la 4T se convocaron entre sí para sumarse a la patriótica campaña. Con el ingenioso hashtag #fuerazapatistademivista (supuestamente ideado por un influencer que produce telenovelas) llamaban a abordar toda clase de vehículos para dirigirse a Chiapas y enrolarse temporalmente en la siempre gloriosa, heroica y poderosa Guardia Nacional. Nadie llegó, porque según se leyó en otro influencer: “una cosa es tener que salir a la calle para ponerle saldo al celular, y otra muy diferente viajar tan lejos. ALV”. El mensaje tuvo 3 millones de likes.

  Luciendo las armas donadas por el ejército norteamericano (el mando del Comando Central del Operativo se quejó en la embajada porque eran obsoletas. El embajador le respondió: “Pero si van a pelear contra unos fuckin indios”), la flamante Guardia Nacional -que hasta entonces sólo se había dedicado a extorsionar migrantes y escoltar los camiones de Sabritas, Bimbo y leche LALA-, hizo su entrada triunfal en los “bastiones zapatistas”. NOTIMEX corrigió: “en las madrigueras de los pecadores”; y corrigió de nuevo: “y de las pecadoras”.

  En su avance, la Guardia Nacional sólo encontraba humo. Los pueblos zapatistas se replegaban a las montañas después de prenderle fuego a sus champas y a sus cosechas.

  El también conocido como “el Nino Canún de los ecologistas”, famoso por su artículo “El Ocaso de la decencia académica y el esplendor de la lambisconería” –mismo que le valió su entrada al gabinete-, escribió un artículo denunciando el atentado contra el medio ambiente que la necedad zapatista provocaba. “Es intolerable”, escribió, “que nuestros gallardos guardias tengan que respirar ese humo que, además, mancha de hollín sus flamantes armas y uniformes”.

  El Supremo mandó congelar todas las cuentas bancarias de las ONG´s defensoras de los derechos humanos y promotoras de proyectos porque, dijo, “en realidad son cabezas de playa de los Illuminati”.

  El Centro de Derechos Humanos Fray Bartolomé de las Casas no cerró sus puertas. De las comunidades aledañas bajaron hombres, mujeres y niños, incluso de organizaciones y poblados rivales entre sí, llevando gallinas, tortillas, maíz, frijol, verduras, frutas, y hasta algo de posh escondido entre el pelambre de un borrego, además de cobijas, blusas, naguas y pantalones con tantos colores que emborrachaban la vista. “Los fraybas”, como les dicen en las comunidades de Chiapas, no pasaron hambre ni frío y hasta compartieron con otras ONG´s. Eso sí, tod@s subieron de peso.

  La Sexta y las Redes no se quedaron sin hacer nada. Se formaron brigadas, comandos y batallones para ir a pelear junto a los zapatistas. Pero, conforme iban descendiendo de sus vehículos destartalados, iban siendo detenidos y llevados a un campo de concentración que se tuvo que acondicionar apresuradamente en el estadio de fútbol “Víctor Manuel Reyna”, en la capital chiapaneca.

  Como en los viejos tiempos, se encontraron ahí, juntos, comunistas y anarquistas y quienes no son ni lo uno ni lo otro. Hubo roces e intercambio de insultos, y el asunto hubiera pasado a mayores si no hubiera sido por loasotroas, que calmaron los ánimos. Como acto de rebeldía, se organizó un campeonato de fútbol (a pesar de que ese juego del demonio había sido proscrito y sólo se permitía el beisbol). La copa (que en realidad era un vaso de unicel con restos de café y adornado con colores en todos los idiomas) fue conquistada por el equipo de loas otroas (lo que hubiera alegrado mucho al finado y al difunto en proceso de serlo). Los Guardias Nacionales que vigilaban a los marginales se burlaron: “Uh, ganaron los putitos y las machorras”. Loas susodichoas retaron entonces a los Guardias a un partido. Los Guardias aceptaron de inmediato. Nadie sabe cómo, pero, al iniciar el encuentro, las porterías no estaban, habían sido desmanteladas (suponemos que por los otros presos) y “los putitos y las machorras” se alinearon, llevando en las manos un pedazo de tubo cada unoa. El árbitro huyó, seguido de los guardias, y olvidaron cerrar el portón. Todos, todas y todoas se salieron. Todavía les buscan.

  Debido a la globalización, el asunto escaló a otras partes del planeta. Empezaron a aparecer zapatistas de todos los colores, de todos los géneros y hablando idiomas disímbolos. Las honorables embajadas de la 4T en varias partes del mundo fueron sitiadas y tuvieron que intervenir las fuerzas policiales de los distintos países en el operativo internacional llamado “Fuck the zapatistas now”…

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69 veces 3 y 69 veces 6.

  Al día siguiente de la épica entrada de la Guardia Nacional, apareció la noticia: “El Subcomandante Moisés y el SupGaleano han sido abatidos” (NOTIMEX corrigió “y el SupMarcos-Galeano”) y se mostraba la foto del sombrero del Moisés y la gorra y la pipa del susodicho Marcos-Galeano en un charco de lo que se suponía era sangre.

  El sistema es el sistema, así que pronto aparecieron ofertas en las que se podía adquirir el sombrero, la gorra y la pipa, y tomarse una selfie con ellos en el suelo de su jardín o del parque más cercano, aunque algunas macetas bien podrían cumplir el objetivo. El kit Premium incluía una botella de un líquido espeso color rojo. “¡Parece sangre auténtica!” se promocionaba.

  El asunto es que todos reclamaban haber “cobrado esas piezas” (así dijeron) y en los lugares más disímiles. Lo mismo se decía que en La Realidad zapatista, que en La Garrucha, que en Oventik, que en Roberto Barrios, que en Morelia. Pero eso sólo al principio. Pronto aparecieron quienes reclamaban haber abatido a los dos zapatistas en otras ciudades. Unas horas después, en otras partes del mundo. Hasta Donald Trump tuiteó que personalmente los había eliminado cuando trataban de cruzar la frontera por El Paso, Texas. Putin no se quedó atrás y reclamaba lo mismo pero en Chechenia. Daniel Ortega declaró que había sido en el barrio de Monimbó y que “Chayito” (así dijo) les había dado el tiro de gracia.

  Un periodista de la prensa fufa (un término ideado por la ingeniosidad del supremo, que se refería así a la prensa que no le era del todo incondicional, o sea que ni fú ni fa, –los periodistas de la prensa fifí o estaban en el exilio, o en la cárcel o en el cementerio-), le comentó a otro: “He contado las muertes “comprobadas” de Marcos y Moisés, y, además de que los lugares distan kilómetros uno de otro y que fueron simultáneas, hay algo extraño”. “¿Ý qué es?”, le cuestionó el otro. “Pues que son 69”, respondió el uno. “¿Y?”, insistió el otro. Y el uno: “Pues que ese número lo usaba el marquitos para alburear en sus comunicados. Se me hace que esos dos deben estar muertos, pero de risa”. “Cállate”, le demandó el otro, “no digas nada porque puedes perder algo más que el empleo”.

  En la ciudad de México, capital de la 4T, un historiador terminaba su último libro con estas palabras: “La prueba de que la Cuarta Transformación va, es que, al igual que sus 3 anteriores, se construye sobre la derrota de los indígenas”. Y en un arranque de espontáneo ingenio agregó: “me canso ganso”. Loco de contento, corrió a ver a su cuate, un burócrata progresista que despachaba en la editorial oficial y oficialista, para ver si le publicaba su libro. El funcionario le dijo que claro, que ni siquiera tenía que pasar a revisión, que directo a imprenta, que si no para qué son los cuates, Y agregó “Oye, tú que le haces a esas cosas, ¿no podías recomendarme algún psiquiatra? Es que recibo llamadas de un tal Elías Contreras, habla en un lenguaje extraño y sólo entiendo una palabra que se repite una y otra vez: culero”. El insigne historiador oficial de la 4T le dijo que no se preocupara, que de seguro era un bot, que ya en Gobernación habían detectado que los conservadores tenían “call centers” clandestinos, que operaban desde satélites de los Illuminati, y que así trataban de entorpecer el funcionamiento impecable de la impecable máquina de la impecable 4T.

  Mientras tanto, en una zona residencial de la ciudad de Palenque, Chiapas, el Gran Líder y Máximo Dirigente de la Nación, Visionario Conductor del Vehículo de la Historia, Amado Camarada, Preclaro Guía, Paladín Vencedor de los Caballeros del Zodiaco, Padre de Rhaegal, Protagonista de las Siete Historias, Quebrantador de Cadenas, Rey de los Primeros Hombres, Señor de los 7 Reinos y Protector de la Nación (nadie se atrevía ya a llamarlo por su nombre), mientras se recargaba de energía cósmica, recibió la noticia de boca del encargado de comunicación social de la presidencia: “ya mataron a los dos, el territorio que estaba en manos de los transgresores de la ley LEI, ha sido conquistado”. El supremo líder y gigante histórico, tomó apresurado su celular modelo dullphone (un ingenio tecnológico fabricado especialmente para no ofender el nivel intelectual del poseedor) y, después de una mirada luminosa al cielo, tuiteó: “las armas gloriosas se han cubierto de Nación”.

  En redes sociales hubo un momento de desconcierto. En la agencia de noticias gubernamental, NOTIMEX, el tuit original había sido “mejorado” y se retuiteaba “las armas nacionales se han cubierto de gloria”; pero las capturas de pantalla son una creación de los enemigos del cambio verdadero, así que alguna de esas mentes privilegiadas y venturosas que abrevan en las virtudes del supremo, elaboró lo lógico en estos casos: el maravilloso e insuperable ingenio del portentoso dirigente había logrado transformar también la historia y re significado el lenguaje. El tuit original del gran pastor no era un error, sino una iluminación que dotaba a la semántica tradicional de algo fuera de lo común y la revolucionaba. Las redes sociales estallaron al unísono en trinos y salmos.

  Aunque tampoco duró mucho: el hashtag #másvalepájaroenmanoquesientobonito desplazó el patriótico #selasmetimosdobladapincheszapatistas como trending topic nacional, y la vida siguió, aunque no tan rápido como la destrucción y la muerte.

  El Supremo solía pasar temporadas en su finca en Palenque. Ahí, él y su familia usaban el tren que se mandó construir y le permitía ir a su tierra natal o a la playa, mientras desde la ventana repartía bendiciones y tarjetas de Banco Azteca. En las redes, los influencers de la 4T aclararon a su tiempo que eso no estaba mal, que, por ejemplo, también Homero Adams y Sheldon Cooper gustaban de jugar con trenes.

  Nadie más usaba ese tren. Los cercanos al círculo cercano (absténganse del eco), decían que era por seguridad del gran dirigente. Las malas lenguas decían, en cambio, que ese tren era un fracaso desde su sola enunciación.

  Todavía fresca la noticia, que se difundió en cadena nacional, de la derrota zapatista, Alfonso Romo pidió hablar con el Supremo. Le expuso un grave problema: EL PARTIDO (así, con mayúsculas) corría el riesgo de fracturarse en vistas de la venidera elección presidencial. Se encontraba dividido porque Claudia y Ricardo querían ser los elegidos, además de que otros amenazaban con colarse. La situación era tan grave que requería de un movimiento audaz. El supremo esperó con impaciencia lo que seguía. Alfonso Romo, cegado por la luz que emanaba del Supremo, entrecerró los ojos y se atrevió: “la reelección”. “Ni pensarlo”, respondió rápidamente el supremo, “eso sería violar la constitución”. Romo se postró y se disculpó: “fue sólo una idea”. El supremo quedó meditando y dijo: “aunque si se reforma la constitución, mi obligación es cumplir la ley”. Una sonrisa iluminó el rostro de Romo y dijo: “Claro, jefe, yo me encargo de eso”. “Pero con cuidado”, le interrumpió el supremo, “prueba primero con un interinato o un periodo intermedio. Algo como “sufragio efectivo, no reelección inmediata”. Si ves que eso pasa sin problemas, entonces prueba con algo como “sufragio efectivo, no reelección por más de 7 períodos consecutivos”.

  La realidad, que no había estudiado la Cartilla Moral de Alfonso Reyes ni atendía las conferencias matutinas, siguió pasando la factura a propios y extraños. La tormenta arreció.

  En el otrora “territorio zapatista”, las cosas no fueron bien para las fuerzas de ocupación. Sólo unos días y empezaron entonces los rumores, las leyendas macabras. Se decía que en las noches aparecía Xpakinté, una mujer de largo y transparente vestido blanco, de piel y ojos claros, que embaucaba a los guardias y les hacía asesinarse entre ellos (el último se daba un tiro en el pecho). Seres indefinidos, vestidos sólo de un gran sombrero, hacían reventar las máquinas y las volvían inservibles. En las madrugadas un rumor lejano pero inteligible repetía “ahí viene, ahí viene, ¿quién viene?, ahí viene” con un ritmo que se parecía demasiado a la rola “La Carencia” de los panteones musiqueros, lo que enloquecía a las postas de la Guardia Nacional, y a los ingenieros encargados de diseñar la reconstrucción de lo que habían destruido.

  Los cuarteles y campamentos de la Guardia Nacional, así como las oficinas de los grandes consorcios constructores, se fueron vaciando sin que nadie llevara la cuenta. Nunca se supo cuántas fueron las deserciones, un nuevo escándalo sacudió la realidad de redes sociales y conferencias matutinas y todos, en el mundo de fuera, se fueron olvidando de las míticas montañas del sureste mexicano.

  Lo que siguió fue documentado por los medios libres, alternativos, autónomos o como se llamen: Primero aislados, luego ya llenando los muros y paredes de los barrios marginales en las ciudades, y en los edificios de madera de las comunidades rurales, aparecieron, con letras multicolores, grafitis anónimos que rezaban: “¿Por qué tan serios?”.

  Así fue la tercera muerte del Subcomandante Insurgente Moisés, y la sexta de quien fue el SupMarcos o SupGaleano o como se vaya a llamar. 69 veces fueron muertos esa vez.

  Los pueblos zapatistas bajaron de las montañas. Nadie entendió cómo fue que sobrevivieron en esas condiciones, aunque se rumora que recibieron alimentos y ropas de las comunidades del CNI. Y, claro, instrumento musicales. Al llegar de nuevo a sus tierras, los zapatistas hicieron lo que se hace siempre en estos casos: organizaron un baile y, con las notas de marimbas, teclados, baterías, guitarrones y violines, las Xpakinté y los Sombrerones bailaron “la del moño colorado”, pero con una toneladanueva, como si fuera un mensaje desde un nuevo mundo al otro que, lentamente y sin hacer casi ruido, allá arriba moría.

  Y fue así que los muertos de siempre volvieron a morir, pero ahora para vivir.

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  Todo esto es un mero ejercicio de ficción. No va a ocurrir… ¿o sí?

(Continuará…)

Desde un rincón de las montañas del Sureste Mexicano.

Guau-miau
El Gato-Perro tirando zarpazos a la luna (alguien debería decirle que así no la va a convencer… ¿o sí?).
México, Agosto del 2019.

Ver videos en el vínculo siguiente:

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2019/08/13/adagio-allegro-molto-en-mi-menor-una-realidad-posible-tomado-del-cuaderno-de-apuntes-del-gato-perro/

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